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02-ABR-2025

ESPECIAL TEA: UM RELATO SOBRE AMOR E DESAFIOS

Na data em que se celebra o Dia Mundial da Conscientização do Autismo (2), a Prefeitura de Aquiraz te convida a conhecer uma história linda de amor e superação

Por Nayane Janja 02/04/2025 #diamundialdaconscientizaçãodoautismo

Dhomini Mendonça Carlos, 11 anos

O que é simples para a maioria de nós e, geralmente, acontece de forma naturalmente em nosso dia a dia, costuma ser uma barreira enorme para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Nas relações sociais, nem sempre é possível ter uma boa comunicação. A dificuldade de acessar as palavras certas, de interpretar comportamentos sociais, a pressão para responder aos estímulos e a confusão sobre como desenvolver uma amizade, são algumas das barreiras enfrentadas por Dhomini Mendonça Carlos, um garotinho de apenas 11 anos, diagnosticado com TEA, nível de suporte 1. Trata-se de um distúrbio do neurodesenvolvimento caracterizado por desenvolvimento atípico, manifestações comportamentais, dificuldade na comunicação e na interação social, padrões de comportamentos repetitivos e estereotipados.

A mãe, Dalila Mendonça, explica que os sinais do autismo em Dhomini surgiram ainda bebê, mas por falta de conhecimento, o diagnóstico aconteceu anos mais tarde. "Ele não olhava nos olhos, não respondia estímulos, andava na ponta dos pés, gostava de coisas repetitivas como música e desenho. Eu passei a ver postagens das pessoas [nas redes sociais] com esse comportamento e aos 6 anos ele começou a fazer fisioterapia com o tio Jordão da Secretaria de Esporte e Juventude de Aquiraz, que me orientou a buscar ajuda. Quase dois anos depois, o laudo veio."

Dhomini sempre foi uma criança amável, simpática, sincera e verdadeira. Fã do Charmander, uma espécie de lagarto Pokémon, e Dono de uma inteligência acima do normal, o garotinho aprendeu a falar primeiro inglês e só depois o português. A mamãe Dalila conta que aos 3 aninhos, ele já dominava a língua estrangeira fluentemente. Feito que ele conseguiu, simplesmente, ao assistir os seus desenhos infantis favoritos no idioma. No entanto, apesar de superdotado para algumas coisas, Dalila explica que estabelecer relações sociais sempre foi uma barreira para Dhomini. "Quando ele começou a ir para creche, ele levava um ursinho (ele era muito apegado) e ele não gostava de brincar, de estar no meio das crianças, de interagir. Ele só ficava lá sentadinho no lugarzinho dele até terminar a aula. Não comia nada. Depois de um certo tempo, ele ainda queria fazer amizade com crianças mais velhas, mas depois não quis mais ter contato com ninguém. Vivia isolado, não queria ir para escola, não queria sair de casa, tinha sensibilidade auditiva demais e muita rigidez cognitiva. A maior dificuldade sempre foi essa."

Após o diagnóstico de Dhomini, a mamãe Dalila, que passou a pesquisar e a compreender mais sobre o autismo, decidiu investigar o filho mais velho, Daniel Mendonça Carlos, aos 14 anos. O laudo veio um ano depois. Além do autismo, nível de suporte 2, ela descobriu que ele também tem TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade). Apesar dos irmãos terem o diagnóstico do TEA, Daniel e Dhomini têm personalidades completamente diferentes. Enquanto Dhomini é mais amoroso, inteligente acima da média e reconhece os seus direitos, o irmão Daniel apresenta sinais de agressão, irritabilidade, tem dificuldades de aprendizagem e é mais retraído.

Dalila chegou a trabalhar catando reciclagem, em um momento de dificuldade financeira da família, para ajudar na alimentação dos filhos, que é bastante seletiva. Hoje, ela não trabalha mais e se dedica, integralmente, aos cuidados deles. Além de lidar com as questões naturais de toda maternidade, ela ainda precisa se dividir em uma jornada exaustiva entre sua vida particular, os cuidados com a casa, as horas de terapias e as consultas rotineiras com neuropediatras e psiquiatras.

E apesar da exaustão das batalhas diárias, essa mãe ainda precisa lidar com algumas situações desagradáveis que enfrenta com os dois filhos. Dalila, Dhomini e Daniel são moradores da localidade de Vila Nova, na Caponga da Bernada, e o ônibus é o transporte mais utilizado pela família, mas é também onde os episódios de preconceito estão mais presentes. Infelizmente, mesmo identificados com o crachá, a sociedade ainda insiste em duvidar do diagnóstico e desrespeitar os seus direitos.

"As pessoas dizem: Nossa, esse menino nem parece que é autista. Dhomini responde: Autista não tem cara, mas eu sou autista. Não está vendo o meu crachá? Com o Daniel dentro do ônibus, mesmo com o crachá, ninguém cede a cadeira para ele, mas as cadeiras têm prioridade né? É humilhante e constrangedor para mim que sou mãe. [...] Isso acontece em várias filas. Não é só no ônibus ou na rodoviária... Passo bastante humilhação e constrangimento porque o autismo não tem aparência, mas ninguém sabe o que eles passam".

Realmente, as pessoas não fazem ideia. Dhomini, além do TEA, foi diagnosticado com a Síndrome da Febre Mediterrânea, um distúrbio hereditário caracterizado por episódios de febre alta juntamente com dores abdominais. Os primeiros sintomas começaram durante a pandemia. As crises podem durar por horas, dias seguidos ou intercalados. "Dói mais em mim", lamenta, Dalila.

Hoje, Dhomini e o irmão Daniel fazem tratamento com medicamentos controlados e são atendidos pelo DIA/NAME (Departamento de Inclusão de Aquiraz/ Núcleo de Atendimento Municipal Especializado). "Os acompanhamentos, as terapias, o NAME, o DIA melhorou a qualidade de vida dos meus filhos e a minha também. São dois lugares que eu amo de paixão [o NAME e o DIA]. Sabe aquela festa dos Super-Heróis, que o Dhomini estava todo entrosado? Se fosse antes, ele nem participava, não tinha quem fizesse ele se misturar, bater foto ou dar um sorriso, mas hoje ele ama, graças as terapias, ao tio João, que é o psicólogo dele, que aconselha bastante, e a Manu [diretora do DIA/NAME] que é carinhosa e amorosa. Ah, meus filhos amam a Manu Matos!", comenta Dalila, com gratidão.

Neste Dia Mundial da Conscientização do Autismo (2), o que dona Dalila espera é que, no futuro, o mundo seja um lugar melhor para os seus filhos e para todos com TEA. "Que o mundo tenha mais amor, menos preconceito, mais respeito, mais empatia, mais companheirismo. Que o mundo possa se adaptar a eles, respeitar e aceitá-los como são, alguns superdotados, outros com mais dificuldades, mas superando a cada dia. Que o mundo reconheça que eles são crianças excepcionais, únicas, extraordinárias e incríveis. Os meus filhos são incríveis para mim! Eles são a melhor parte que o Senhor meu deu na vida [...] Que o mundo venha respeitar e ter mais empatia por eles. Mais carinho, mais respeito, mais atenção, mais cuidado... Que o mundo os inclua em todos os sentidos e em todos os momentos."

É através de um mundo melhor, que Dhomini, Daniel e tantas outras pessoas que estão no espectro autista vão conseguir realizar os seus sonhos. Através da inclusão, do respeito e da acessibilidade, eles vão crescer e se tornar adultos livres e independentes. É o que dona Dalila deseja. "O meu sonho é que eles realizem todos os sonhos deles. O Dhomini tem o sonho de ser veterinário e ter uma Ong para cuidar dos animais e cuidar de mim. Já o Daniel quer um dia se casar, ter filhos e construir uma família."

"Abrace a causa. Procure os acompanhamentos, as terapias, e tudo que ele precisar e nunca deixe de amar o seu filho da maneira que ele é porque nossos filhos podem ser superdotados ou terem algumas dificuldades, mas são nossos filhos. Ame do mesmo jeito, proteja, cuide e não deixe ninguém no mundo ofender, maltratar e nem faltar com respeito. Lute pela inclusão para ele, em qualquer lugar, seja na escola, no posto ou no shopping." Este é o recado de Dalila para todas as mamães de crianças com autismo.

Matéria Especial ASCOM

 

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